Da comunidade para a avenida: A trajetória de Ciça Ferreira até o posto de musa da Vila Isabel

Antes do título, vieram os projetos, os ensaios e o respeito ao chão da escola

Antes de ocupar um dos postos mais simbólicos do desfile, Ciça Ferreira construiu sua história dentro da Vila Isabel passo a passo. A musa da comunidade não surgiu de forma repentina, ela foi formada no cotidiano da escola, nos projetos, nas aulas, nos ensaios e na vivência coletiva que molda o verdadeiro espírito do samba.

A primeira experiência de Ciça como passista aconteceu na São Clemente, momento que ela define como marcante e quase sagrado. “Pisar naquele palco é extremamente emocionante”, relembra. Mas foi na Vila Isabel que sua trajetória ganhou raízes profundas. Após a pandemia, ela ingressou no projeto Celeiro de Bambas, iniciativa da própria escola voltada à formação de passistas, inicialmente com o objetivo de movimentar o corpo e retomar a dança.

A dedicação chamou atenção. Durante as audições internas do projeto, Ciça foi aprovada e convidada a integrar o time de passistas da Vila. Com o tempo, passou a fazer parte do Grupo Show da escola, onde a dança vai além do samba no pé e envolve interpretação, atuação e diferentes linguagens corporais, algo que dialoga diretamente com sua formação em dança.

“Eu não cheguei musa por acaso. Entrei na Vila Isabel por um projeto da própria escola, passei por audições, virei passista, entrei no Grupo Show e fui sendo construída ali dentro”, afirma.

O reconhecimento veio naturalmente. Observada pela direção artística, Ciça foi incentivada a participar do concurso de musa da comunidade em 2025. Mesmo sem pretensão inicial, decidiu aceitar o desafio após receber apoio de familiares e amigos. O resultado foi a vitória e, com ela, a responsabilidade de representar não apenas a estética do carnaval, mas a essência da comunidade de Noel.

Para Ciça, ocupar o posto de musa carrega um significado que vai além do título. “Antes de qualquer título, eu aprendi a respeitar o chão da escola e a história que ele carrega”, diz. A frase traduz sua postura: leve, consciente e profundamente grata pela oportunidade.

Representar a comunidade tem sido, segundo ela, um processo natural. A autenticidade é o fio condutor de sua atuação. “Eu estou sendo eu. Quando você coloca a sua verdade, as coisas fluem”, resume.

Às vésperas do primeiro desfile como musa da Vila Isabel, Ciça carrega consigo não apenas a expectativa da avenida, mas o orgulho de uma trajetória construída com dedicação, respeito, pertencimento e valores que reforçam sua ligação com a escola e com o samba que a formou.

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